Considerações Gerais

A história da construção em altura começa, nos finais do século XIX, em Chicago. Desde então, espalhou-se mundialmente, respondendo a fenómenos de pressão demográfica e económica. As formas, as estruturas e as tecnologias destes edifícios, foram variando de modo a responderem às exigências de cada momento.

A presente análise decompõe um século de construção em altura em alguns períodos mais representativos, não pelo mero interesse histórico, mas porque a cada diferente período aqui estudado, corresponderam entendimentos diferentes da relação do edifício com o território, o que determinou formas, estruturas e tecnologias distintas. Muitos dos pressupostos dos finais do século XIX, que relacionavam os edifícios e o seu espaço envolvente de forma muito umbilical, voltam agora, cem anos depois, a ser elementos fundamentais na definição do desenho dos actuais arranha-céus, sobretudo europeus.

Entendeu-se por isso pertinente ir às origens. O estudo dedica-se sobretudo à análise da construção em altura onde ela começou – em Chicago. Tenta justificar o seu aparecimento e propagação por motivos racionais de natureza urbana, sobretudo económicos e demográficos, explicando depois as formas que os edifícios foram assumindo para responder às mudanças destas duas variáveis. Tenta demonstrar que a construção em altura não é um acto de exaltação do ego, pese embora seja estimulante e arrojada, mas que radica essencialmente na intensificação do uso de um solo de valores elevadíssimos, onde a proximidade e a centralidade determinam a forma.

Associam-se a esta análise, constatações marginais de carácter sociológico, que demonstram a clara mudança operada no século XX no perfil mundial do habitat do ser humano. Assistiu-se a uma transformação de um habitat rural dedicado à economia de subsistência ou à indústria, num habitat urbano, concentrado em grandes cidades, dedicado sobretudo aos serviços. A mulher, até então distante do mundo das empresas e da economia em geral, assumiu um papel essencial a todos os níveis da actividade. As tarefas de administração e produção, antes co-habitando num mesmo espaço, estão agora distantes. A informação, desde sempre vital, assume outros suportes. O aço, o betão, o vidro, materiais por excelência da conquista dos céus, melhoraram significativamente os seus desempenhos mecânicos. O conhecimento dos seus comportamentos, bem como dos ventos, dos sismos, dos solos, é agora também, mais profundo. Como mais profundo é o conhecimento da forma como se destroem estes edifícios, de que decorre o maior medo de os usar. Os símbolos da prosperidade, da tecnologia e da capacidade de desafiar a gravidade, tornaram-se alvos. Os atentados ao WTC de Nova Iorque demonstraram que apesar do domínio da natureza, o homem ainda não conseguiu construções à prova do seu principal predador – o próprio homem.

Olhando mais além, podem ver-se desejos e utopias de torres de um quilómetro e depois de uma milha de altura, que marcam o território como as torres sineiras do barroco marcaram as cidades católicas. São propostas de um urbanismo vertical. Mais concentrado, menos poluente. Porque somos cada vez mais, num mesmo território. E porque para além de nós, tem ainda de haver Natureza... e espaço.

 

Sumário da Dissertação

 

Função

 A tradição modular e ortogonal da arquitectura americana associou-se, no final do século XIX, à experiência estrutural do aço para construir edifícios altos em que as funções estruturais passaram das paredes para os pórticos metálicos, num processo conceptual fecundo que se designou de "Escola de Chicago".

 

Finança

A forma dos edifícios em altura é determinada pela capacidade de os rentabilizar – alugar. O módulo de toda a forma é o escritório. A sua localização, geometria, profundidade, altura, compartimentação e imagem são função da procura do mercado.

 Ambiente

 

A volumetria, a implantação e as tecnologias dos edifícios são função do seu território – relacionam-se com ele.

Um edifício em altura é envolvido por uma película, aqui designada de envelope, que administra a relação do edifício com o meio. Por isso, é constituída por mecanismo de controlo térmico, luminoso e acústico de grande importância.

Estrutura

Elencam-se as principais soluções estruturais para as diferentes alturas dos edifícios. Começando pelas estruturas porticadas de aço, depois reforçadas por núcleos rígidos resistentes, até aos sistemas mais elaborados dos tubos e de treliças tridimensionais que estruturam os super-edifícios.

 

 

Segurança

Partindo do pressuposto que um acidente nas alturas tem sérias probabilidades de provocar danos graves, equacionam-se as condicionantes de projecto e construção, nomeadamente regulamentares, verificam-se procedimentos de emergência e sugerem-se novos mecanismos de saídas de emergência pelas fachadas dos edifícios. 

Casos de Estudo

Analisam-se com maior detalhe aspectos vários de quatro edifícios em Altura: 2 americanos, da Skidmore Owins and Merril – o John Hancock Center e a torre Sears, ambos da década de 70, e outros dois de Norman Foster - o Hong-Kong and Shangai Bank e o Commerzbank de Frankfurt , da década de 80 e 90

Utopias

Elabora-se sobre os caminhos possíveis do habitat nas grandes urbes mundiais. Para tanto servem de mote os projectos utópicos do hiper-edifício, a Torre Biónica e a Ecotorre.

Conclusões

Conclui-se da verificação dos pressupostos da dissertação e estabelecem-se pontos de análise para posteriores reflexões.

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