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A forma dos edifícios em
altura foi sendo determinada por uma multiplicidade de factores, entre os
quais podemos destacar quatro:
“A Forma segue
a Função”
A sobreposição vertical de
funções, de usos e até de tecnologias construtivas obedece a uma lógica de
racionalismo que interpreta o edifício como um objecto mecânico – uma
máquina – mais do que uma obra de arte. Esta ideia de Louis Sullivan, um dos
protagonistas da primeira “Escola de Chicago”, condiciona a forma, a imagem
e todo o projecto de um edifício ao seu uso, ao seu circuito de distribuição
e aos seus mecanismos. A forma do edifício denuncia o seu conteúdo e a sua
estrutura, já que é resultado e não causa.
A tradição construtiva
racionalista da América do Norte, apoiada num conhecimento estruturalista
industrial e ferroviário da designada “arquitectura do ferro”, permitiu
incorporar nos edifícios a separação entre funções estruturais –
desempenhadas por estruturas metálicas esbeltas – e funções de cerramento,
desempenhadas por materiais progressivamente mais leves, que constituem
fachadas modulares.
A utilização do elevador e
do telefone permitiram o crescimento vertical. A dependência da relação
directa com a rua, para ventilar e iluminar o interior dos edifícios, de
modo natural, numa época em que ainda não se utilizavam sistemas mecânicos
de climatização e luz fluorescente, determinou a forma dos escritórios e
consequentemente dos edifícios.
“A Forma segue a
Finança”
Um edifício em altura nasce
por vontade de um promotor que está disponível para o pagar e na expectativa
de obter proventos. Os seus altos custos só têm retorno se o mercado o
aceitar e pagar para o ocupar. Esta ideia determina a vinculação do
programa, das tecnologias e em última instância, da própria forma dos
edifícios, às regras do mercado.
A densificação das urbes,
associada à intensidade do uso do solo, determina a hierarquização do
território. Os edifícios que ocupam os lugares mais procurados e
consequentemente mais caros subdividem o valor do solo por um maior número
de pisos. A altura constitui-se como uma marca na cidade. Em seu redor, a
actividade económica intensifica-se fazendo com que o valor do solo continue
a subir. Os edifícios em altura são bons investimentos para o capital que
exige bom retorno, arrogando-se por isso ao direito de ditar a forma. A
estética, a funcionalidade e a tecnologia sacrificam-se ao mercado. A regra
é a maximização do lucro. Para tanto, deve-se maximizar a área útil vendável
ou alugável, até ao ponto em que o mercado a adquira por um valor económico
interessante. Frequentemente, quando o excesso de oferta determina
excedentes, os regulamentos municipais ditam limites ao crescimento,
voltando a equilibrar o mercado.
“A Forma segue o
Ambiente”
O edifício existe num
território físico-químico que o envolve e com o qual estabelece trocas: luz,
ar, calor, matéria, resíduos... pelo que a sua forma é una e intrinsecamente
vocacionada para o seu território específico. Cada edifício que se relaciona
de forma saudável com o seu meio é um objecto singular, não reprodutível em
qualquer outro lugar.
A consciência da
vulnerabilidade dos recursos ambientais, associada à elevada participação
dos edifícios no bolo geral do consumo de energia e emissão de poluentes e
ainda a subida dos custos de operação dos edifícios, determinaram o desenho
de construções menos predadoras do meio ambiente. Para tanto, os edifícios
regressaram à sua relação umbilical com o território, recorrendo a meios
passivos de climatização e iluminação. A implantação, a forma, a
proximidade às janelas, a profundidade dos compartimentos, os sistemas de
fachadas passaram a ser função do ambiente. Ao aproximarem-se da Natureza,
estas construções devolvem o Homem à sua condição natural, em oposição aos
edifícios das décadas de 50 a 70, onde se experimentaram espaços de trabalho
em locais artificialmente climatizados e iluminados, distantes da luz
natural, alheios à hora do dia ou à estação do ano.
“A
Forma segue a Estrutura”
A relação entre a forma e a
estrutura é crítica, pelo que se aplica, com propriedade, o conceito de
racionalismo estrutural. Elas evoluem interactivamente e são sempre
rigorosamente condicionantes e participantes uma da outra.
Contrariamente aos graus de
liberdade que assistem à arquitectura de baixa ou média altura, em que a
estrutura pode ser predeterminada pela forma, no caso dos edifícios altos a
estrutura condiciona e limita a forma.
Como em poucos outros casos,
a estrutura participa formalmente no objecto arquitectónico, ganhando
condição plástica. O seu desenho ganha atributos que transcendem a sua mera
valência mecânica para passar a ter um valor estético de proporção,
equilíbrio, textura e ritmo. Em muitos casos, este conceito é levado ao
extremo da estrutura ser aparente (exterior) desempenhando o papel de
geratriz de toda a forma.
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"Edificios em altura: forma,
estrutura e tecnologia"
livros Horizonte

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