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“"Manifesto
Editorial”
(in ARQUITECTURA 21,
Fevereiro de 2009)
Inicia com este número,
de Janeiro de 2009, a revista "Arquitectura
21".
Uma revista sobre arquitectura.
Propomo-nos promover arquitecturas, práticas e visões, autores, linguagens e
ideias que não têm tido visibilidade. Esta não será mais uma revista de
arquitectura para publicar os arquitectos do costume, as mesmas obras, as
mesmas linguagens, pela mesma perspectiva. Não será mais uma revista para
idolatrar acriticamente as obras do “star system”, para mostrar fotografias
de casa vazias e arquitecturas finitas sobre si próprias. Esta não será mais
uma revista de arquitectura, mas antes uma revista sobre arquitectura e o
contexto em que ela existe. O seu lugar social, politico, económico,
artístico, técnico. Terá por isso um corpo principal dedicado à arquitectura,
com um tema central em cada mês, e depois um conjunto de cadernos vários
dedicados ao desenho urbano, design, paisagismo, expressões artísticas,
blogues, livros e viagens.
Uma revista global. Estará atenta ao
que se passa por cá, em todo o território nacional, e não apenas em Lisboa
ou Porto, mas também no estrangeiro. Contará por isso com uma rede de
colaboradores, heterogénea e espalhada no território para dar conta do
noticiário mais relevante,
Uma revista para todos. A
arquitectura, a sua compreensão, análise, critica e debate não é nem deve
ser um exclusivo dos arquitectos. È um direito e um dever da comunidade
participar, escolher e decidir sobre o seu território, as suas cidades e os
seus edifícios; para tanto deve estar informada, qualificada com os
conhecimentos necessários à sua compreensão, isto é, com uma cultura que lhe
permita a participação. Mais do que falar para os seus pares, esta revista
pretende exaltar as singulares propriedades da arquitectura, que a
distinguem de tantas outras disciplinas ou formas de arte: ela é pública e
habitável. Existe no espaço comum – a cidade, deve ser usada pelas pessoas
para uma dada função e para se materializar precisa de um promotor que
esteja disponível para a pagar. Isto significa que a arquitectura tem, por
definição da sua natureza, promotores que a encomendam, empreiteiros que a
constroem, utentes que a usam e cidadãos que lidam com ela quotidianamente.
A "arquitectura 21" procurará também essas pessoas, dando-lhes a sua
explicação das inúmeras facetas da arquitectura, dotando-as de instrumentos
críticos de análise que lhes permitam os seus próprios raciocínios e juizos.
Uma revista sobre a prática liberal mas
também sobre o serviço público de arquitectura. A "arquitectura 21"
pretende divulgar todas as formas de exercício da arquitectura em
contraponto à cultura editorial que nos últimos anos promoveu um "star
system" de carácter liberal baseado no autor independente, projectista e
líder de escritório, como fonte única de qualidade e "nobreza" de exercício.
Entre os 17 mil arquitectos portugueses a maioria exerce a sua profissão na
administração central, nas câmaras municipais, nas escolas, na produção, ao
serviço de outros arquitectos. Os arquitectos fazem planos, projectos,
pareceres, estudos, exercem uma actividade com relevância social e
consequência no território, conforme foi reconhecido pela União Europeia.
Esta revista publicará todas essas práticas, levando ao conhecimento dos
leitores a sua natureza e os seus protagonistas.
Uma revista barata. Existe uma
aparente incongruência entre falta de conhecimento ou escassa cultura
arquitectónica da população portuguesa e o elevado preço das revistas
existentes para a sua divulgação. Seja pelo número de exemplares, pela
qualidade do papel, pelas imagens, pela dimensão, o facto é que são
inaceitavelmente caras até mesmo para arquitectos e estudantes de
arquitectura, o seu público preferencial. Esta revista será por isso mais
barata que um semanário ou um maço de tabaco, para que o preço não seja um
óbice. Um conteúdo de qualidade acessível a todos, mesmo em tempo de crise.
Uma revista sub 40. O recente estudo
do Prof Vilaverde Cabral, para a Ordem dos Arquitectos, demonstra que a
esmagadora maioria dos arquitectos têm menos de 40 anos. As suas
preocupações, a sua prática profissional, as suas linguagens são distintas.
Tratam-se de mentes globais, formadas na liberdade do pós 25 de Abril. Gente
viajada, que fez erasmus, que comunica na rede. Que procura noticiário
rápido e factual, mas também opinião com rosto.
Esta será a sua revista. |